Construção modular em Portugal. O que mudou na lei?

Publicado em 1 de junho de 2026 às 16:15

O que mudou na lei?

A construção modular tem vindo a afirmar-se cada vez mais em Portugal, mas continuam a existir muitas dúvidas relativamente ao licenciamento, à legalidade e ao enquadramento deste tipo de construção.

Durante vários anos existiu a ideia de que casas modulares, pré-fabricadas, contentores habitáveis ou outras soluções construtivas amovíveis poderiam ser instaladas sem projeto ou sem qualquer procedimento municipal.

Essa ideia é incorreta.

O sistema construtivo utilizado não afasta, por si só, o cumprimento das regras urbanísticas aplicáveis à edificação.

O que mudou na legislação?

Nos últimos anos, o enquadramento urbanístico da construção modular foi objeto de alterações importantes.

O Decreto-Lei n.º 10/2024 veio clarificar expressamente a aplicação do Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação, o RJUE, à construção modular de caráter permanente, mesmo quando os seus elementos sejam amovíveis ou transportáveis. Diário da República

Em 2026, o regime voltou a ser revisto pelo Decreto-Lei n.º 108/2026, que introduziu novas alterações ao RJUE e ao regime do licenciamento urbanístico. A entrada em vigor dessas alterações foi posteriormente prorrogada para 1 de outubro de 2026. Diário da República

Apesar das alterações legislativas, mantém-se um princípio essencial:

uma construção modular destinada a permanecer no local e a ser utilizada como habitação deve ser analisada de acordo com o enquadramento urbanístico do terreno e com o procedimento aplicável à operação urbanística em causa.

O atual RJUE prevê diferentes formas de procedimento, incluindo licenciamento, comunicação prévia e comunicação prévia com prazo, consoante a operação e o respetivo enquadramento. Diário da República

Uma casa modular necessita de projeto?

Em regra, sim.

Tal como acontece numa construção tradicional, uma casa modular destinada a habitação exige normalmente o desenvolvimento de um projeto adequado ao terreno e às regras aplicáveis.

O processo poderá envolver, entre outros elementos:

  • Projeto de arquitetura
  • Projetos de engenharia e especialidades
  • Implantação da construção no terreno
  • Análise do PDM e de outros instrumentos de gestão territorial
  • Verificação de condicionantes urbanísticas
  • Análise de servidões administrativas e restrições de utilidade pública
  • Procedimento urbanístico aplicável
  • Cumprimento das normas técnicas e legais em vigor

Não é apenas o material ou o método utilizado na construção que determina o enquadramento legal.

São igualmente relevantes fatores como:

  • a utilização prevista
  • a permanência da construção no local
  • a implantação
  • a ligação às infraestruturas
  • as características do terreno
  • as regras urbanísticas aplicáveis

E os contentores, casas pré-fabricadas e mobile homes?

O facto de uma construção poder ser transportada, desmontada ou produzida parcialmente em fábrica não significa automaticamente que esteja dispensada de controlo urbanístico.

O enquadramento deve ser analisado caso a caso.

Quando uma solução modular ou amovível é utilizada de forma permanente, nomeadamente para habitação, a sua implantação deve ser avaliada à luz das regras urbanísticas aplicáveis ao terreno e à operação pretendida.

Por isso, antes de comprar uma solução modular ou de avançar com a sua instalação, é fundamental perceber primeiro se o terreno permite a utilização pretendida.

Casas modulares podem ser colocadas em terrenos rústicos?

Depende do enquadramento urbanístico do terreno.

A classificação de um terreno como rústico não deve ser analisada isoladamente.

É necessário verificar, entre outros elementos:

  • o PDM do município
  • a classificação e qualificação do solo
  • os usos admitidos
  • os parâmetros de edificabilidade
  • eventuais servidões administrativas
  • restrições de utilidade pública
  • REN
  • RAN
  • outras condicionantes territoriais aplicáveis

Em determinadas situações, estas regras podem limitar ou impedir a construção.

Por esse motivo, a análise da viabilidade do terreno deve ser sempre feita antes da sua aquisição ou antes de desenvolver o projeto.

Construção modular não significa ausência de regras

A construção modular não constitui uma forma de contornar a legislação urbanística.

A principal diferença está no sistema construtivo e na forma como a obra é planeada e executada.

Pode permitir:

  • maior racionalização do processo construtivo
  • maior controlo de execução
  • redução de desperdício
  • maior rapidez em determinadas fases da obra
  • integração de soluções industrializadas

Mas o projeto continua a ter de respeitar as regras aplicáveis ao local onde vai ser construído.

O terreno continua a ser o primeiro passo

Antes de escolher a casa, o sistema construtivo ou mesmo a área pretendida, é essencial perceber aquilo que o terreno permite.

Na TRAÇO Modular, o processo começa pela análise e viabilidade do terreno.

É nesta fase que procuramos perceber:

  • o enquadramento urbanístico
  • os condicionamentos existentes
  • a área possível de construção
  • os parâmetros aplicáveis
  • a relação entre o terreno, o projeto pretendido e o investimento previsto

Só depois dessa análise faz sentido avançar para o desenvolvimento do projeto.

Como funciona o processo na TRAÇO Modular?

A TRAÇO Modular integra Arquitetura, Engenharia, Licenciamento e Construção num processo coordenado.

Cada projeto é desenvolvido de forma personalizada, tendo em consideração o terreno, as necessidades do cliente e o investimento definido.

O processo desenvolve-se em várias etapas:

1. Análise e viabilidade do terreno

Estudamos o enquadramento urbanístico e o potencial de construção do terreno.

2. Primeira reunião

Conhecemos as necessidades do cliente, a tipologia pretendida, as áreas e o enquadramento do investimento.

3. Projeto de Arquitetura

Desenvolvemos uma solução personalizada, ajustada ao terreno e à forma de viver de cada cliente.

4. Engenharia e Especialidades

São desenvolvidos e coordenados os projetos técnicos necessários à consolidação da solução.

5. Projeto e Orçamento

Com o projeto tecnicamente definido, é possível preparar um orçamento de construção muito mais rigoroso.

6. Licenciamento

É preparado e acompanhado o procedimento urbanístico aplicável junto da Câmara Municipal.

7. Construção

Reunidas as condições necessárias para avançar, inicia-se a execução da obra, com coordenação e acompanhamento técnico.

Conclusão

A construção modular é hoje uma solução com cada vez maior expressão em Portugal.

Mas modular não significa ausência de projeto, ausência de regras ou liberdade para construir em qualquer terreno.

O ponto de partida deve ser sempre o mesmo:

compreender o terreno, conhecer o enquadramento urbanístico e desenvolver um projeto tecnicamente sólido antes de avançar para a construção.

É precisamente por isso que, na TRAÇO Modular, Arquitetura, Engenharia, Licenciamento e Construção são pensados como partes do mesmo processo.

Um processo. Duas fases. Uma única equipa.

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